Posted by: consulting27 | August 16, 2010

Sustentabilidade no turismo ainda engatinha

Os primeiros dez anos deste século presenciaram um pronunciado aumento de interesse pela preservação ambiental, já que as conseqüências da ação do homem vêm tendo repercussões naturais às vezes até catastróficas. Companhias de diversos setores têm aderido ao conceito de sustentabilidade e, com o turismo, já não é diferente.

De acordo com Carlos Monteiro, mestre em Administração e Desenvolvimento Empresarial, em Responsabilidade socioambiental, desenvolvimento sustentável, sustentabilidade e presidente da Adesp ( Associação para o Desenvolvimento Sustentável Participativo), em entrevista, exclusiva ao MERCADO & EVENTOS, a sustentabilidade ainda engatinha no setor de viagens e turismo. Isso porque faltam profissionais capacitados com essa visão que relaciona sustentabilidade à continuidade do negocio e porque as ações imediatistas, comuns, no meio, atrapalham todo o ciclo de construção desse conceito, fundamentado na responsabilidade socioambiental. “Para construir a sustentabilidade é preciso fazer um ciclo completo atrelado a uma melhoria continua de condições de vida. É preciso abordar o turismo em suas diversas facetas – o de negocio, como lazer, o de pessoas, o histórico cultural… e avaliar se todos esses caminhos são tomados sob a ótica da sustentabilidade”, afirma.

O professor explica que para dar inicio a essa postura “verde” um primeiro aspecto fundamental deve ser considerado: a capacidade de carga do destino turístico. “Isso é importante porque a partir daí haverá continuidade ou não da atividade turística. É preciso balancear essa capacidade, avaliar uma serie de questões – como se há sazonalidade, quantos UH’s aquele destino comporta, os meios de transporte, os meios gastronômicos, segurança, toda a infraestrutura básica daquele lugar. Essas avaliações determinam se é possível construir sustentabilidade ali. Ainda, de acordo com ele,  depois dessa primeira fase, avalia-se cada problema individualmente (seja o gasto de água, a degradação do ambiente entorno ao empreendimento ou o acúmulo de lixo) para, então, resolver cada um, especificamente, sob a ótica da sustentabilidade, de forma a aproveitar ao máximo esses problemas como algo positivo, como por exemplo, transformar o óleo gasto na cozinha em verniz natural ou sabão para produzir sabonetes para o próprio empreendimento. Pra Monteiro, é lamentável que alguns empreendimentos usem a máscara do caráter sustentável mesmo quando primam apenas por uma ou dias ações sem se dedicarem a ações complementares: “Não adianta o empreendimento pontuar uma ação como só separar o lixo ou só reaproveitar a água, é preciso preparar todo o entorno e, principalmente, valorizar o ser humano enquanto agente dessa mudança. Eles que vão não só implementar as ações, mas avaliá-las e zelar por elas. “Além disso, é preciso atestar se seus fornecedores e parceiros também são responsáveis socialmente, ambientalmente e se trabalham com produtos sustentáveis”, explica.

E continua: “Responsabilidade social só existe quando se vai alem da lei. Cumpri-la é obrigação, não responsabilidade”.

Para que o caráter sustentável seja aplicado em todos os aspectos do turismo, as pesquisas de mercado realizadas junto aos turistas, excursionistas e profissionais do meio deveriam passar por analises e respostas. “As pesquisas até acontecem, mas pouca analise é feita em cima disso e, menos ainda, há um retorno. Seria importante a criação de um cargo ou setor dentro dos empreendimentos que funcionassem como um ombudsman ou ouvidor daquele lugar, como funciona no setor da saúde, e que fosse voltado essencialmente para as questões de responsabilidade social. Mas isso ainda não existe,”, lamenta Monteiro. No entanto, ele vê como favorável o crescimento do interesse em praticas sustentáveis por conta do novo cenário que se aproxima do país. “Acredito que com a ECO 2012 no Rio de Janeiro, com a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e aas Olimpíadas em 2016, receberemos um publico de fora que é bastante exigente e critico, que visitará o país e, certamente, nos avaliará. Isso vai determinar a continuidade do Brasil como destino, porque os estrangeiros vão pensar se eles vão voltar ou não, ou se só vieram pelos eventos. Isso fará o turismo brasileiro parar para uma reflexão”.

Carlos Monteiro

Source: Mercados & Eventos


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